O câncer de mama é uma doença caracterizada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que podem formar um tumor e, em alguns casos, invadir outros tecidos e órgãos. É uma doença heterogênea: existem diferentes tipos de câncer de mama, com comportamentos, velocidades de crescimento e respostas ao tratamento distintas.
Embora seja mais frequente em mulheres, o câncer de mama também pode afetar homens, que representam cerca de 1% dos casos. A idade é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da doença, mas o câncer de mama não possui uma causa única e pode resultar da combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais.
Por isso, falar sobre prevenção e detecção precoce não significa viver em alerta constante. Significa conhecer o próprio corpo, manter os cuidados de rotina e procurar avaliação profissional diante de alterações que não são habituais.
Quais são os tipos de câncer de mama?
Existem diferentes formas de classificar o câncer de mama. Uma das principais considera o local onde as células alteradas se originam e se elas permanecem restritas ao local de origem ou invadem outros tecidos.
Carcinoma ductal: É o tipo que se origina nos ductos mamários, estruturas responsáveis por conduzir o leite até o mamilo. Pode ser:
- Carcinoma ductal in situ (CDIS): as células cancerígenas permanecem dentro dos ductos e não invadiram o tecido mamário ao redor.
- Carcinoma ductal invasivo: ultrapassa a parede dos ductos e pode invadir o tecido mamário próximo. É o tipo histológico mais comum e representa cerca de 80% a 90% dos casos de câncer de mama.
Carcinoma lobular: Surge nos lóbulos mamários, estruturas responsáveis pela produção do leite. Assim como o carcinoma ductal, pode ser classificado como in situ ou invasivo, dependendo de as células permanecerem restritas ao local de origem ou invadirem os tecidos próximos.
Além da classificação pelo local de origem, os tumores também podem ser classificados de acordo com características presentes nas células cancerígenas, como a presença de receptores hormonais e da proteína HER2. Essas informações ajudam a equipe médica a definir o tratamento mais adequado para cada pessoa.
Quais são os sinais de alerta?
O câncer de mama pode não provocar sintomas em suas fases iniciais. Quando aparecem alterações, alguns sinais merecem avaliação médica, principalmente quando são novos e persistentes.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho;
- Saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando ocorre em apenas uma das mamas;
- Alterações na pele da mama, incluindo retrações ou aspecto semelhante à casca de laranja;
- Aumento progressivo do tamanho da mama;
- Mudança no formato do mamilo;
- Lesão na pele da mama que não melhora com tratamentos locais;
- Nódulos na região das axilas ou do pescoço.
É importante lembrar que nem todo nódulo ou alteração na mama significa câncer. Existem diversas condições benignas que podem provocar mudanças semelhantes. A presença de um sinal de alerta indica a necessidade de investigação, e não significa, por si só, um diagnóstico de câncer.
Não espere uma alteração causar dor para procurar ajuda. O câncer de mama pode apresentar poucos sintomas, especialmente nas fases iniciais. Qualquer mudança persistente ou diferente do habitual deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Quais são os fatores de risco?
O câncer de mama é uma doença multifatorial. Isso significa que ter um fator de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença, assim como não apresentar fatores conhecidos não elimina completamente a possibilidade.
Entre os fatores associados ao aumento do risco estão:
- Idade: o risco aumenta com o envelhecimento, sendo especialmente relevante a partir dos 50 anos.
- Histórico familiar e fatores genéticos: casos de câncer de mama na família, principalmente em idades mais jovens, câncer de mama em homens e histórico familiar de câncer de ovário podem estar relacionados a um risco maior. Alterações hereditárias em genes como BRCA1 e BRCA2 também aumentam o risco.
- História reprodutiva e hormonal: menstruação antes dos 12 anos, menopausa após os 55 anos, primeira gravidez após os 30 anos, não ter tido filhos, uso de determinados contraceptivos hormonais e terapia hormonal após a menopausa estão entre os fatores relacionados ao risco.
- Excesso de peso e inatividade física: sobrepeso, obesidade e falta de atividade física estão associados a um maior risco.
- Consumo de bebidas alcoólicas: o consumo de álcool também está relacionado ao aumento do risco.
- Exposição à radiação ionizante: determinadas exposições, principalmente em situações específicas e cumulativas, podem aumentar o risco.
O Instituto Nacional do Câncer (INCA) também aponta evidências sugestivas de associação entre tabagismo e câncer de mama, embora essa relação seja menos estabelecida do que outros fatores.
Ter histórico familiar não significa que uma pessoa terá câncer de mama. Da mesma forma, a maioria dos casos não está necessariamente ligada a uma alteração genética hereditária. Segundo o INCA, apenas cerca de 5% a 10% dos casos estão relacionados a fatores genéticos e hereditários.
É possível prevenir o câncer de mama?
Nem todos os casos podem ser evitados, mas alguns hábitos ajudam a reduzir o risco da doença.
Entre as principais medidas estão:
- Praticar atividade física regularmente;
- Manter o peso corporal adequado;
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Amamentar, quando possível;
- Evitar exposições ocupacionais desnecessárias a agentes de risco e utilizar corretamente os equipamentos de proteção quando indicados.
Segundo o INCA, estima-se que cerca de 17% dos casos de câncer de mama possam ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como atividade física, manutenção do peso adequado, redução do consumo de álcool e amamentação.
Mas prevenção não se resume a hábitos de vida. Acompanhamento médico e detecção precoce também fazem parte do cuidado.
A importância da detecção precoce
Descobrir o câncer de mama no início aumenta as chances de sucesso do tratamento e pode reduzir a necessidade de intervenções mais agressivas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o diagnóstico e o tratamento precoces contribuem para melhores resultados e maior sobrevida.
Uma das formas de identificar a doença precocemente é o rastreamento, feito em pessoas sem sintomas para detectar possíveis alterações antes que elas se manifestem.
Quando fazer a mamografia?
No Brasil, existem recomendações diferentes sobre a idade para começar e a frequência do exame:
- INCA e Ministério da Saúde: mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos, no rastreamento populacional.
- SBM, CBR e FEBRASGO: mamografia anual a partir dos 40 anos, para mulheres com risco habitual.
As diferenças refletem orientações distintas para o rastreamento. Converse com um profissional de saúde para entender qual recomendação se aplica ao seu caso.
Mulheres com histórico familiar significativo ou alterações genéticas associadas ao câncer de mama podem precisar começar o acompanhamento mais cedo. Nesses casos, a estratégia deve ser definida individualmente com orientação médica.
Cuidar antes também é uma forma de prevenção
Prevenção não significa esperar aparecer algum sintoma para procurar atendimento. Consultas de rotina permitem acompanhar a saúde de forma individualizada, identificar fatores de risco e avaliar quais exames são indicados para cada pessoa, considerando idade, histórico familiar e características individuais.
Na SegMedic, esse cuidado pode fazer parte da rotina por meio de consultas e exames de acompanhamento, de acordo com a indicação médica. Com o SegMais, assinatura de saúde da SegMedic, você ainda garante Consultas e Exames com preços acessíveis.
No câncer de mama, assim como em outros tipos de câncer, o diagnóstico precoce está associado a melhores possibilidades de tratamento, maior sobrevida e maiores chances de cura, reforçando a importância de não adiar os cuidados com a saúde.















