O Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) revelou, na sua 11ª edição, lançada em 2025, que o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial de incidência e prevalência de diabéticos. Já uma estimativa divulgada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), em parceria com o Ministério da Saúde, mostrou que cerca de 20 milhões de adultos brasileiros vivem com a comorbidade. 

Com o diagnóstico, vem a dúvida: “Será que nunca mais vou poder comer um doce?”. Isso porque o açúcar não está relacionado apenas à liberação imediata de energia na corrente sanguínea, mas também a recompensas psicológicas e memórias afetivas. Afinal, quem não tem uma sobremesa preferida da infância, não é mesmo? 

Quando o medo de perder os sabores da infância assume o controle, os adoçantes naturais e artificiais surgem como um paliativo do luto cultural e emocional deixado pela ausência do açúcar. Pensando nisso, nós separamos uma lista de adoçantes naturais e artificiais que podem ser alternativas para o seu dia a dia. Veja a seguir: 

Adoçantes naturais para diabéticos

Os adoçantes naturais são aqueles extraídos de frutas, plantas e vegetais. Eles costumam ser mais indicados porque evitam picos de açúcar no sangue e possuem baixa quantidade de calorias. Veja as principais opções a seguir:

Stevia

Extraída da planta Stevia rebaudiana, possui poder adoçante até 300 vezes superior ao açúcar. 

  • Benefícios
    • Zero calorias;  
    • Não aumenta a glicose sanguínea;  
    • Não favorece cáries;  
    • Possui compostos antioxidantes.  
  • Possíveis efeitos adversos 
    • Sabor residual amargo ou metálico;  
    • Náuseas e desconforto gastrointestinal quando consumida em excesso;  
    • Pode contribuir para redução da pressão arterial em algumas pessoas. 

Eritritol

Obtido por fermentação natural de frutas e vegetais. 

  • Benefícios 
    • Apenas 0,2 kcal por grama;  
    • Não altera a glicemia;  
    • Boa tolerância digestiva em comparação com outros polióis.  
  • Cuidados 
    • Pode causar desconforto gastrointestinal em grandes quantidades;  
    • Estudos recentes sugerem possível associação com eventos cardiovasculares, mas ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar essa relação.  

Xilitol

Encontrado naturalmente em frutas e vegetais. 

  • Benefícios 
    • Baixo impacto glicêmico;  
    • Auxilia na prevenção de cáries;  
    • Pode ser utilizado em receitas e preparações culinárias.  
  • Cuidados 
    • Pode causar gases e efeito laxativo em excesso;  
    • Não é recomendado para pessoas com síndrome do intestino irritável;  
    • É altamente tóxico para cães. 

Adoçantes artificiais para diabéticos

Os adoçantes artificiais são substâncias produzidas em laboratório que imitam o sabor adocicado. Como as opções naturais, esses adoçantes possuem baixo valor calórico e evitam os picos glicêmicos no sangue. Veja as opções abaixo:

Sucralose

Derivada da sacarose e cerca de 600 vezes mais doce que o açúcar. 

  • Benefícios
    • Baixíssima quantidade de calorias; 
    • Não altera a glicemia;
    • Pode ser utilizada em diversas preparações.  
  • Cuidados 
    • Alguns estudos sugerem possíveis alterações da microbiota intestinal quando consumida em excesso;  
    • O consumo frequente pode aumentar a preferência por sabores excessivamente doces.   

Aspartame:

Adoçante artificial aproximadamente 200 vezes mais doce que o açúcar.

  • Benefícios 
    • Baixo valor calórico;  
    • Seguro para diabéticos dentro dos limites recomendados.  
  • Cuidados
    • Contraindicado para portadores de fenilcetonúria;  
    • Foi classificado pela OMS como “possivelmente cancerígeno” (Grupo 2B), mas continua aprovado para consumo dentro das doses diárias aceitáveis.  

Acessulfame-K

Amplamente utilizado em bebidas e alimentos sem açúcar. 

  • Benefícios 
    • Zero calorias;  
    • Não aumenta a glicose sanguínea;  
    • Resistente ao calor.  
  • Cuidados 
    • Pesquisas investigam possíveis impactos sobre a microbiota intestinal;  
    • Seu uso deve respeitar os limites recomendados pelas autoridades sanitárias.
Adoçantes - Sucralose, Aspartame e Acessulfame-K
Adoçantes – Sucralose, Aspartame e Acessulfame-K

O que dizem a OMS, a Anvisa e a Sociedade Brasileira de Diabetes? 

A Sociedade Brasileira de Diabetes e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) consideram os adoçantes aprovados uma ferramenta segura para auxiliar o controle glicêmico de diabéticos. 

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso de adoçantes sem açúcar como estratégia principal para emagrecimento ou prevenção de doenças crônicas. No entanto, reforça que pessoas que já são diabéticas devem continuam usando adoçantes como uma alternativa útil para reduzir o consumo de açúcar.

Conclusão

Receber o diagnóstico de Diabetes não significa abrir mão do prazer de comer, mas sim aprender a fazer escolhas mais conscientes e equilibradas. Os adoçantes podem ser aliados importantes no controle da glicemia, desde que utilizados com orientação e inseridos em um estilo de vida saudável, que inclua alimentação adequada, prática de atividade física e acompanhamento médico regular.

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