A Insuficiência Cardíaca (IC) é a principal causa de internações e reinternações entre idosos no Brasil. Embora seja uma doença de alta letalidade, é também uma condição silenciosa, com sintomas que confundem o paciente e tornam o seu diagnóstico mais difícil.
Neste guia completo, você poderá entender o que é a insuficiência cardíaca, quais são os sintomas que podem passar despercebidos, as causas mais comuns e as menos comuns da doença, além de entender como é feito o diagnóstico e quais as opções de tratamentos. Continue lendo para descobrir
O que é insuficiência cardíaca?
A insuficiência cardíaca acontece quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue de forma eficiente ou de se encher adequadamente entre um batimento e outro. Essa redução da função cardíaca faz com que os órgãos recebam menos oxigênio e nutrientes, além de favorecer o acúmulo de líquidos em diferentes partes do corpo.
“Acontece de forma gradual, iniciando-se geralmente com um comprometimento mais leve que, com o passar do tempo, vai aumentando, enquanto a capacidade do coração de promover esse bombeamento vai diminuindo cada vez mais”, explica o Cardiologista da SegMedic dr. Claudio David La Terza Fonseca
Quais são os sintomas de insuficiência cardíaca?
A insuficiência cardíaca é considerada uma doença silenciosa justamente porque os seus sintomas surgem de forma gradual, podendo ser confundidos com cansaço, estresse e até sedentarismo. No entanto, com a piora do quadro, os sinais também tendem a evoluir. Veja os mais frequentes a seguir:
- Falta de ar (dispneia), principalmente durante esforços físicos;
- Falta de ar ao deitar (ortopneia);
- Episódios de falta de ar durante a noite;
- Cansaço excessivo e queda na capacidade de realizar atividades do dia a dia;
- Inchaço nos pés, tornozelos e pernas;
- Ganho rápido de peso por acúmulo de líquidos;
- Palpitações;
- Tosse persistente, especialmente à noite.
“Tarefas que antes ele fazia sem cansar, agora começam causar falta de ar e cansaço. Além dos sintomas com relação a arritmia cardíaca, que o paciente vai traduzir para você como batimentos fora do compasso, o coração fica ‘pulando igual um cavalo’”, explica La Terza.
Em estágios mais avançados da insuficiência cardíaca, os sintomas podem aparecer mesmo em repouso, limitando significativamente a rotina do paciente. O surgimento ou o agravamento desses sinais é sempre motivo para procurar um Cardiologista.
O que causa insuficiência cardíaca?
A insuficiência cardíaca geralmente é consequência de doenças que comprometem o funcionamento do coração ao longo do tempo. Entre as principais causas estão:
- Hipertensão arterial;
- Infarto do miocárdio;
- Doença arterial coronariana;
- Doenças das válvulas cardíacas;
- Cardiomiopatias;
- Doenças congênitas do coração.
“Nós temos causas variadas para a Insuficiência Cardíaca. A hipertensão não tratada, por exemplo, causa uma sobrecarga na musculatura cardíaca que leva à doença. Já condições inflamatórias, causadas por razões variadas, como bacterianas, virais e fúngicas, também vão atuar na musculatura cardíaca podendo causar a doença”, explica o Cardiologista. “Ou seja, qualquer tipo de situação que possa promover uma alteração morfológica da musculatura cardíaca, causando uma queda na capacidade de contração do coração, pode levar a insuficiência cardíaca”.
Além disso, o especialista reforça que condições como diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e colesterol elevado aumentam o risco de desenvolver doenças cardiovasculares que podem evoluir para uma insuficiência cardíaca. Por isso, controlar esses fatores é uma das formas mais eficazes de prevenção da doença.
Quais são os tipos de insuficiência cardíaca?
A insuficiência cardíaca pode ser classificada de diferentes formas. Uma das principais se baseia na fração de ejeção do ventrículo esquerdo, medida obtida pelo ecocardiograma que indica o percentual de sangue bombeado a cada batimento. Os principais tipos são:
- IC com fração de ejeção reduzida (ICFER): a capacidade de contração do coração está diminuída, reduzindo o volume de sangue bombeado.
- IC com fração de ejeção preservada (ICFEP): o coração mantém a força de contração, mas tem dificuldade para relaxar e se encher adequadamente de sangue.
- IC com fração de ejeção levemente reduzida: apresenta características intermediárias entre os dois grupos anteriores.
Outra forma de classificação é a funcional, proposta pela New York Heart Association (NYHA), que divide a doença em quatro classes conforme a limitação causada pelos sintomas durante as atividades físicas, desde pacientes sem qualquer limitação até aqueles que apresentam sintomas mesmo em repouso.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da insuficiência cardíaca parte da avaliação clínica, considerando os sintomas, o histórico do paciente e o Exame físico. Para confirmar o quadro e avaliar a gravidade, o Cardiologista pode solicitar Exames como:
- Eletrocardiograma (ECG);
- Radiografia de tórax;
- Ecocardiograma;
- Dosagem dos peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP), especialmente quando há dúvida diagnóstica.
O ecocardiograma é um dos Exames mais importantes porque permite avaliar a estrutura do coração, identificar alterações na função cardíaca e medir a fração de ejeção, informação fundamental para definir o tratamento mais adequado.
Como é o tratamento da insuficiência cardíaca?
O tratamento para a insuficiência cardíaca deve ser individualizado para cada paciente. No entanto, em todos os casos, o tratamento deve combinar mudanças no estilo de vida com medicamentos específicos. Entre as principais medidas não medicamentosas, estão:
- Praticar atividade física orientada pelo médico;
- Manter uma alimentação equilibrada;
- Reduzir o consumo de sal;
- Controlar o peso corporal;
- Parar de fumar;
A hipertensão não controlada é um dos principais motivos para o surgimento da insuficiência cardíaca. Além dela, a diabetes e o colesterol elevado também colocam em riscos a Saúde do coração. Por isso, é importante seguir corretamente as prescrições médicas quanto aos medicamentos receitados.
“Diuréticos, medicações que impedem que ocorram efeitos taquicardíacos no coração, e melhorem o relaxamento do ventrículo esquerdo. Os anti-hipertensivos, que são muito importantes para diminuir a pós-carga. Então, estabilizar a pressão desse paciente é muito importante”, reforça o Dr. La Terza.
Quando procurar um Cardiologista?
Procure um Cardiologista sempre que surgirem sintomas como falta de ar frequente, cansaço excessivo, inchaço nas pernas, palpitações ou dificuldade para realizar atividades que antes eram feitas normalmente.
Pessoas que já têm fatores de risco, como hipertensão, diabetes, histórico de infarto, obesidade ou doenças cardíacas na família, também devem manter acompanhamento periódico para prevenir complicações.
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A insuficiência cardíaca é uma doença séria, mas que pode ser controlada quando diagnosticada e tratada a tempo. O acompanhamento com um Cardiologista permite identificar precocemente alterações na Saúde do coração, iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações.
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