As hepatites virais são um conjunto de infecções que atacam o fígado, causando a inflamação do órgão. Por não apresentarem sinais claros no início, são consideradas doenças silenciosas, que podem causar danos graves ao fígado quando não tratadas cedo. 

Embora as mais comuns no Brasil sejam as hepatites A, B e C, também é possível encontrar casos de hepatite D e E, sendo esta última a mais rara no país. Entre 2000 e 2024, foram registrados 1.914 casos de hepatite E, o que representa cerca de 0,1% do total de notificações de hepatites virais no Brasil. 

O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em 2025, mostrou a distribuição de casos de hepatites virais por tipo entre 2000 e 2024. Veja a seguir: 

  • Hepatite A: 174.977 casos confirmados (21,2% do total) 
  • Hepatite B: 302.351 casos confirmados (36,6% do total) 
  • Hepatite C: 342.328 casos confirmados (41,5% do total) 
  • Hepatite D: 4.722 casos confirmados (0,6% do total) 
  • Hepatite E: 1.914 casos confirmados (0,1% do total) 

O Ministério da Saúde também revelou que o Brasil registrou 49.999 mortes causadas por hepatites virais entre 2000 e 2024. Embora tenha sido observada uma redução da mortalidade na última década, é importante reforçar a importância do avanço no tratamento. 

Isso porque, quando descoberta cedo, a doença pode ser tratada ou controlada, evitando quadros graves. Pensando nisso, a SegMedic preparou um guia completo que pode ajudar a identificar os sinais das hepatites e a entender como tratá-las. Continue lendo para saber mais. 

Quais são os tipos de hepatites virais 

Nem toda hepatite é causada por vírus. Isso porque hepatite significa apenas que o fígado está inflamado, e essa inflamação pode ter diversas origens. Entre as hepatites virais estão aquelas causadas pelos vírus A, B, C, D e E. Veja como acontece a transmissão de cada uma, os principais sintomas e como preveni-las. 

Hepatite A 

A hepatite A, causada pelo vírus HAV, costuma estar associada a condições de saneamento básico e higiene. Isso porque a sua transmissão acontece pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes de uma pessoa infectada (via fecal-oral). 

No entanto, a hepatite A também pode ser transmitida durante a relação sexual. Nesse caso, o contágio ocorre especialmente durante a prática oro-anal ou em qualquer situação de contato com fezes contaminadas. 

Entre os principais sintomas estão: 

  • Pele e olhos amarelados (icterícia) 
  • Urina escura (cor de chá ou de refrigerante de cola) 
  • Fezes claras (cor de argila) 
  • Febre e fraqueza intensa 
  • Dor na barriga e enjoo 
  • Perda de apetite 

A vacinação é a principal forma de prevenir a hepatite A. Além disso, é indicado lavar bem as mãos após usar o banheiro e antes de comer, beber água tratada, filtrada ou fervida, lavar bem frutas, verduras e legumes antes do consumo e cozinhar bem os alimentos, especialmente carnes e mariscos. 

Hepatite B 

Causada pelo vírus HBV, a hepatite B é transmitida pelo contato com sangue ou fluidos corporais infectados. Também é comum que a transmissão aconteça durante relações sexuais sem preservativo ou pelo uso de seringas contaminadas. Outros itens pessoais de higiene podem ser vetores de transmissão, como lâminas de barbear, escovas de dente e alicates de unha. 

No caso da hepatite B, também pode ocorrer a transmissão vertical, quando a doença passa da mãe infectada para o bebê na hora do parto. No entanto, existem formas de prevenir essa transmissão, como o uso de antivirais durante a gestação, a testagem no pré-natal e até mesmo a definição do tipo de parto. 

Nas fases iniciais, é normal que a pessoa não apresente sintomas. Quando eles aparecem, podem ser leves, parecidos com os de uma gripe. Veja a seguir: 

  • Cansaço e falta de energia 
  • Enjoo, tontura e vômitos 
  • Febre baixa 
  • Dor na barriga 
  • Pele e olhos amarelados (icterícia) 
  • Urina muito escura e fezes claras 

A hepatite B também tem vacina, indicada para todas as idades como principal forma de prevenção. Também se recomenda o uso de preservativo em todos os tipos de relação sexual e não compartilhar agulhas, seringas ou materiais de higiene pessoal e de manicure. 

Hepatite C 

Assim como a hepatite B, a hepatite C também é transmitida, principalmente, pelo contato com sangue contaminado pelo vírus HCV, ou seja, ao compartilhar agulhas, seringas e alicates de unha. Antes de 1993, também era comum a transmissão por meio de transfusões sanguíneas. 

A doença pode ser transmitida por relação sexual, mas o risco é considerado baixo em relações monogâmicas. Esse risco aumenta em práticas sexuais desprotegidas, com múltiplos parceiros e na presença de sangramento, ou em casos de coinfecção com HIV. Ainda assim, a hepatite C não é classificada como uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível), pois a sua principal forma de transmissão é o contato direto com sangue contaminado. 

Entre os principais sintomas estão: 

  • Infecção que demora anos para mostrar sinais 
  • Cansaço forte ou fraqueza 
  • Pele e olhos amarelados (icterícia) 
  • Urina cor de chá escuro 
  • Dor na barriga, do lado direito 

A hepatite C não conta com vacina própria. Devido à alta taxa de mutação genética do vírus, o desenvolvimento de um imunizante eficaz é um grande desafio. Dessa forma, a melhor maneira de evitar a doença é não entrar em contato com sangue contaminado e usar preservativo nas relações sexuais. 

Vale mencionar que a hepatite C tem cura. O tratamento é feito com Antivirais de Ação Direta (DAA), por via oral, durante 8 a 12 semanas. A taxa de cura é superior a 95%, mas, quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores as chances de um tratamento seguro e sem complicações. 

Hepatite D 

A hepatite D é uma infecção grave do fígado causada pelo vírus HDV. Esse vírus só consegue se multiplicar na presença do vírus da hepatite B. Isso significa que a infecção ocorre junto com a hepatite B ou como uma infecção adicional em quem já tem a forma crônica da hepatite B. Nesses casos, o risco de cirrose e de Câncer de Fígado é maior. 

A transmissão acontece quando a pessoa entra em contato com sangue ou fluidos corporais infectados, como no uso de agulhas compartilhadas ou em relações sexuais sem proteção. 

Alguns sintomas são: 

  • Cansaço 
  • Enjoo 
  • Febre 
  • Dor na barriga 
  • Urina escura 
  • Pele ou olhos amarelados 

A vacina contra a hepatite B também protege contra a hepatite D, pois impede que o vírus HBV se instale no organismo. Além disso, é importante usar preservativo e não compartilhar itens pessoais, como lâminas de barbear, escovas de dente e alicates de unha. 

Hepatite E 

A hepatite E é pouco comum no Brasil. A infecção é causada pelo vírus HEV, e a contaminação está relacionada, principalmente, ao consumo de água ou de comida contaminada com fezes. Em alguns casos, a contaminação pode acontecer por meio de carne malcozida de porco ou de caça. 

Os principais sintomas são: 

  • Pele e olhos amarelados (icterícia) 
  • Urina cor de chá escuro 
  • Fezes claras 
  • Dor na barriga, do lado direito 
  • Cansaço forte e enjoo 
  • Febre baixa 

A principal forma de se proteger contra a hepatite E é beber apenas água tratada, além de lavar bem as mãos após usar o banheiro e antes de comer. Também é importante cozinhar bem as carnes antes de consumi-las e lavar frutas e verduras antes do consumo. 

Quais são as complicações das hepatites virais? 

As hepatites virais são doenças silenciosas que podem evoluir para a forma crônica, para a cirrose hepática, o Câncer de Fígado e, em alguns casos, a perda total da função do órgão. 

A forma crônica da doença é mais comum nos tipos B e C. Nesses casos, o vírus permanece ativo no corpo por mais de seis meses, causando lesões contínuas ao fígado. 

Já a cirrose hepática acontece quando o tecido saudável do fígado é substituído por tecido cicatricial. Isso ocorre porque o órgão tenta se curar da inflamação constante. Com o tempo, há o acúmulo de tecido endurecido, que reduz a filtragem das toxinas e dificulta a passagem de sangue pelo fígado. 

O Câncer de Fígado, também chamado de carcinoma hepatocelular, pode surgir após anos de convivência com a inflamação crônica. Por isso, está mais associado aos vírus B, C e D. 

Em quadros mais graves, o paciente pode desenvolver uma falência hepática rápida e agressiva, colocando a vida em risco em poucos dias. Nesse caso, a única forma de tratamento é o transplante de urgência. 

Como é feito o diagnóstico? 

O diagnóstico das hepatites virais é feito, principalmente, por meio de Exames de sangue que detectam a presença do vírus no corpo. Caso o resultado seja positivo, também podem ser solicitados Exames de imagem e biópsia para entender e avaliar os danos ao fígado. 

Além disso, o especialista pode pedir um teste de carga viral para confirmar se a infecção está ativa. Esse Exame mede a quantidade exata de vírus no sangue, o que ajuda a orientar o melhor tratamento. 

“O diagnóstico é simples. Feito principalmente através de exames laboratoriais (exames de sangue) por meio de testes rápidos (triagem) e sorologias (detecção de sorotipos das hepatites). Além dos exames de imagem que são importantes para avaliação do estado do fígado do paciente”, explicou a doutora Lilha Feitosa, Infectologista da SegMedic. 

Como é o tratamento das hepatites virais 

Cada caso de hepatite viral é único, e o tratamento varia conforme o tipo de vírus. No caso dos vírus A e E, é comum que a infecção se cure sozinha. Ainda assim, são indicados repouso e boa hidratação. 

Já para os tipos B, C e D, existem antivirais que ajudam a controlar o vírus e a evitar lesões graves. No caso da hepatite C, o tratamento busca a cura da doença. 

“O tratamento vai depender do tipo da hepatite viral. Hepatites como as do tipo A e E, por exemplo, na maioria das vezes não requer tratamento medicamentoso. Somente repouso e hidratação, porém isso não é uma regra geral pois existem casos que possam exigir tratamento. Já no caso das hepatites B e C, o tratamento é medicamentoso. O tratamento da hepatite D está diretamente relacionado ao tipo de tratamento da hepatite b”, explicou a especialista. 

Quando procurar um médico? 

As hepatites virais são doenças silenciosas; por isso, quando os primeiros sinais aparecem, é importante procurar um especialista. Alguns desses sinais são: 

  • Pele ou olhos amarelados 
  • Urina escura 
  • Fezes claras 
  • Dor abdominal do lado direito 
  • Cansaço extremo sem causa aparente 

Ao perceber esses sinais, o indicado é procurar um Hepatologista ou um Infectologista. Também é comum iniciar as investigações com um Clínico Geral ou um gastroenterologista. 

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